O que é GAS – Guitar Acquisition Syndrome

É comum ver em fóruns de guitarras ou baixos a sigla G.A.S. próxima a fotos de coleções de instrumentos, isso é quase um sintoma explícito de GAS.

Esta sigla, GAS, significa Guitar Acquisition Syndrome (ou Síndrome da Aquisição de Guitarras). Começa-se a falar de guitarras porque o artigo que batizou a síndrome foi publicado na Guitar Player de 31/05/1996 por Walter Becker (editorial em inglês). A ideia é que certas pessoas estão mais propensas a adquirir guitarras e equipamentos que não serão úteis no dia a dia e isto pode ser um problema.

Obviamente, apesar de usar guitarras, o mesmo se aplica a contrabaixos, bem como amplificadores, pedais de efeito etc. Tanto é verdade que o G de Guitar, passa a se tornar G de Gear (equipamentos) para comportar as outras categorias de instrumentos ou equipamentos.

Coleção vs GAS

A situação é bem diferente de um colecionador (que nem precisa ser músico), por exemplo, que tende a coletar itens com o propósito de ter itens raros, obviamente de ter uma compilação mais ou menos organizada de guitarras. No caso de GAS, estão envolvidos fatores psicológicos como a compulsão. Uma vontade de ter um instrumento simplesmente porque ele tem um knob a mais do que os outros três que você já tem. Note que a ideia por trás de quem tem esta síndrome é necessidade de ter algo novo da qual já existe outro que já cumpre a função. Além disso, após a aquisição, um sentimento de culpa pode aparecer e, na maioria das vezes, há algum comprometimento orçamentário.

De quantos baixos preciso?

Quantos Fender Jazz Bass são necessários para um sujeito se dar por satisfeito? Um pré CBS, um fretless, um signature do Marcus Miller e outro do Geddy Lee, um Jass Bass Special MIJ, um Deluxe V, os reissues de 62 e 75, os novos Black Top, Antiqua e, porque não, os Fender Southern Cross, produzidos pela Giannini com licença da Fender na década de 80. Claramente cada um tem sua característica, mas será que isso justifica todas as aquisições?

O caso é ainda pior quando se tem instrumentos iguais e são feitas modificações. Existe ainda uma variação de GAS que tende a modificar todas as guitarras que se compra.

Três ou quatro instrumentos relativamente diferente entre si, talvez se completam: um passivo vintage, um fretless, um ativo mais moderno, um baixolão, um piccolo etc. Também é comum um desejo de ter um instrumento mais bem feitos do que os que já possui, mas daí, achar que se deva ter todos os instrumentos, não é algo legal simplesmente porque você só tocará com frequência alguns deles. O ideal, é ter aqueles instrumentos que você toca e desejar aqueles que realmente agregarão valor ao seu set, seja porque são realmente diferentes seja porque são melhores que os atuais.

John Entwistle - Baixos

John Entwistle, baixista do The Who em uma sala cheia de contrabaixos - Não, não sei se é GAS.

O problema

Salas cheias, apesar de lindas, não transformam ninguém em um bom baixista e a busca por timbre (que no geral, motiva a GAS) pode ser contornada no dedo.

Embora GAS traga síndrome como parte da sigla, não quer dizer que seja um estado clínico comprovado e que haja maneiras de tratá-la. Talvez nem exista cura ou ela seja engajada em outra categoria de doença já existente. Independente disso, o alerta é válido: se a aquisição de contrabaixos, pedais, amplificadores etc é uma compulsão, o sinal de alerta deve ser ligado. Dizer exatamente quando parar é impossível.

Cada um tem uma necessidade, uma possibilidade, que não é possível estabelecer um limite sadio. Talvez três contrabaixos já sejam suficientes para um caso de GAS. Em outro, dez instrumentos pode ser absolutamente normal.

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